POESIAS
IAHGO
A insanidade quando vem em forma de espiral-tormento
traz consigo uma nova realidade
paira sobre a mente a escuridão da claridade
onde morte, suicídio e ódio é o único mandamento
Pútrefe enganamento!
Dizer a tola mente que tudo é pscicológico
ou julgar que a química ao cérebro engana
ë um delito duplo contra a mente insana
tão grande quanto a Deus definir com o lógico
Pútrefe sarcástico ócio!
A verdade é que dum só corpo alimentam-se duas aves
dois abutres, duas almas, dois seres roedores
que comandam em sentido opostos os ossos mordedores
dum cadáver que dum só sopro respira diversos ares
Pútrefes estranhos males!
Iahgo, o lado negro, de rubros fios de fogo
domina o meu ser nas horas de desespero
e nesse viver conflitivo, nesse mundo forasteiro
diagnosticam essa sina como o trauma de um louco.
GREGOR GREY
A DOIS SENHORES
Por que me olhas desse jeito, vil senhora ?
Por ventura quer que eu seja teu escravo?
Sei que nesse olhar puro e doce
há algo mais que pureza e doçura
Pútrefe candura!
Não se pode servir a dois senhores
não se pode amar a duas amadas
mas de manhã, ao encontrar o meu olhar com o teu
sobe-me pela espinha um frio intenso
e anoite, ao me afogar nos braços de minha amada
desce-me dorsalmente um calor imenso
e assim se segue, dia após noite
amando duas amadas
seguindo duas estradas
servindo a dois senhores.
GREGOR GREY
VIDA E MORTE DE UMA SONHO
Um sonho
de menino, não
muito menino, já
crescido, era ser
jogador de
futebol
dois joe
lhos fran
zinos um
cor rer
tra qui
no e tudo se foi
Um cora ção apaixo
nado, destruiu o sonho alado
ao apitar no ecocardiograma que
o menino nunca mais iria pi
sar na grama e cada gra
ma de sacrifício
inútil fo
ra
um
ser
violado, crescido e desa
creditado se foi da morte
do me
nino
nasce
um ve
lho ra
bino
que
sem
pre a
Deus
clamou
GREGOR GREY
MONGE
Inalado
a fragrância que afetará os sentidos
Sobe
reto a boca o desejo que consome a carne
E
leva ao desespero o pobre monge.
Pobre
monge que nega os desejos do sangue
Eleva
a razão sobre a emoção no altar do medo
Até
o momento que arrebenta as amarras e deixa cair contos ao chão
Ali
jaz o crucifixo nas dobras da colcha da cama
Enterrado
entre os dedos ainda há ave-marias e pai-nossos,
Mas
da carne supura o desejo e não há mais lei,
Celibato,
castidade e a não-sodomia foram à vala
Agora
ruge o desejo saciando-se a marge do rio-desejo saciado
E a
cada pulsar da artéria
O
pobre monge rasga sua alma
E a
cada gole de sangue venoso
Venenosa
seiva lhe escorre
E a
cada pulsar do abade com ele compactuado
Uiva pobre monge dilacerado.
GREGOR GREY